Memórias do AHR: Teatro
18 de maio de 2011

PELOS PALCOS DE PASSO FUNDO: O GRUPO X

       Após a criação do Grupo X, no ano de 1921, o teatro amador em Passo Fundo voltou a ser praticado com mais regularidade e entusiasmo pelos artistas locais, já que os grupos que haviam surgido antes deste período estavam a toda hora sofrendo transformações e fusões tanto no elenco artístico como no aspecto estrutural. Assim, espetáculos mais organizados e realizados no Coliseu e no Cine-Teatro Brasil, sob a direção de Pelissier de Lima Costa, tiveram grande presença de público.

       Como as apresentações não tinham exatamente fins lucrativos, o Grupo X realizava vários espetáculos beneficentes. Uma das primeiras apresentações filantrópicas do grupo foi realizada no dia dois de julho de 1922. Foi um festival em benefício ao Hospital de Caridade. Ainda neste ano, no dia três de setembro, o grupo estaria no Coliseu apresentando a comédia em três atos, intitulada Assassino de Macário, de Camilo Castello Branco.

       Em setembro de 1922 o Grupo X anunciou a representação das peças O Bom Commisario, Coração e Estômago e Um arranjo de revista local que foi realizado no Cine-Teatro Brasil. Para o grupo este ano foi de grandes apresentações e culminou com a peça que talvez tenha sido a de maior sucesso, apresentada em novembro daquele mesmo ano no Coliseu. Intitulada Rivaes de George Walsh ou Ídolo das Meninas, era uma comédia que, segundo relatos da época, proporcionou a todos uma magnífica impressão pelo conjunto artístico com que foi organizado. No final do mesmo ano o Grupo X anunciou a todos um novo espetáculo, Flores de Sombra, do dramaturgo Cláudio de Souza. Apesar do todo sucesso e da atividade intensa do grupo, por motivos e razões não muito divulgadas na imprensa, no final do ano de 1923, o Grupo X encerrou suas atividades.

       Em outubro de 1925, em homenagem a Zola Amaro, a primeira cantora lírica brasileira a fazer sucesso internacional e que era natural do Rio Grande do Sul, o Grupo X se reúne e apresenta a peça Flores da Sombra que foi apresentada no Coliseu. Ao final do espetáculo foram interpretadas algumas das canções da cantora. Durante aproximadamente sete anos o grupo pouco atuou, voltando à ativa somente no final de 1932. Afora tais períodos de pouca atividade, o Grupo X mostrou-se de grande importância no cenário cênico de Passo Fundo no início do século XX.



Marciano da Silva
Acadêmico do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR


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