Memórias do AHR: Santinha
30 de maio de 2011

A Santinha do Povo

       Maria Elisabeth de Oliveira, nascida em 06 de fevereiro de 1951, ficou popularmente conhecida como a santinha de Passo Fundo. Era uma menina meiga e querida, segundo seus contemporâneos. Sua fama iniciou após um trágico incidente, ocorrido em 1965, que lhe tirou a vida e instigou uma devoção popular singular.

       Em 28 de novembro de 1965 quando Maria Elisabeth estava com suas amigas reunidas em frente da casa, um trágico acidente lhe tirou a vida. Tal evento derivou do atropelamento da mesma por uma Kombi desgovernada que a atingirá fatalmente antes de completar 15 anos de vida. Todavia, a fama derivou de uma história relatada pelos seus amigos próximos. Logo após esse acidente, esses contavam que a menina já havia previsto que seria atropelada por um veículo e já tinha escolhido a veste que usaria no seu funeral e ate mesmo o caixão enquanto passeava no centro com suas amigas. Assim, segundo os relatos, tudo teria acontecido como Maria Elisabeth já havia previsto.

       Depois de sua morte a população começou a venerar Maria Elisabeth. Passaram a invocá-la para obter graças, a fazer orações dedicadas a ela. Mesmo pessoas de outras de outras cidades da região vinham até o cemitério, para rezar e fazer seus pedidos a “santinha de Passo Fundo”. Ainda hoje é expressiva a movimentação de fiéis que lotam ônibus e vêem para Passo Fundo para render-lhe homenagens. Os seus devotos deixam bilhetes e cartas com pedidos e agradecimentos em seu túmulo. Também é comum encontrar sobre a lápide muitas rosas vermelhas, flor muito apreciada por Maria Elisabeth em vida.
Um dos pretensos primeiros milagres que teriam sido realizados por intercessão de Maria Elisabeth aconteceu em agosto 1969, quando Leonilda Jacob dos Santos, da cidade de Barracão (RS), encontrava-se no Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha. Desenganada pelos médicos, teve colocado sobre seu travesseiro uma gravata de colegial da “santinha”. Tal relíquia teria auxiliado na recuperação de dona Leonilda que fora tida pelos seus médicos, Dr. Silveira Neto e Dr. Augustin Nieto Rey, como um milagre. Tal descrição instigou ainda mais a crença nos poderes de Maria Elisabeth, resultando na consolidação da crença nos poderes da menina.

       A devoção a Maria Elizabeth foi contestada pela Igreja, que tentou dissuadir o povo a prestar-lhe homenagens logo após o falecimento, como vinha ocorrendo. Tal devoção ainda não foi autorizada pela instituição, embora pesquisas sobre a vida da menina e suas pretensas graças/milagres já estejam em andamento para em breve iniciar o processo de beatificação. A devoção à “santinha” de Passo Fundo, todavia, não necessita desta legitimação visto que já está consagrada pelo número de fiéis que vêm prestar-lhe homenagem ou reivindicar graças na capela do Cemitério da Vera Cruz, onde se encontra enterrada Maria Elisabeth.



Cristiane Cardona Manfroi
Acadêmica do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR
* Os artigos expressam a opinião de seus autores.



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