Memórias do AHR: O Boom Viário
14 de março de 2011

O BOOM VIÁRIO NAS CERCANIAS DE PASSO FUNDO (1972-1975)
   
       “Passo Fundo e Getúlio Vargas ligadas por asfalto”. Assim, O Nacional destacava, na capa do dia 08 de março de 1975, a inauguração da rodovia estadual RS-7 (logo em seguida renomeada para RS-135). Na ocasião, o Prefeito de Passo Fundo, Tte.-Cel. Edu Villa de Azambuja, expressou o agradecimento da região ao governador do Estado e ao Secretário dos Transportes, Cel. Paulo Nunes Leal, pela realização da obra, “magnífica” em suas palavras, “fator decisivo para o desenvolvimento dos municípios por ela beneficiados”. Com esta rodovia pavimentada de 48 km de extensão, cujo início deu-se cinco anos antes, encerrava o ciclo de obras viárias promovidas no governo do arenista Euclides Triches, que na semana seguinte passava o cargo a seu sucessor, o também arenista Sinvall Guazzelli.
   
       O asfaltamento da RS-7 estava incluído em um plano amplo, junto com obras de outras 10 rodovias estaduais que totalizavam a implementação de 512 km de estradas estaduais no Programa de Reforço dos Corredores de Transportes, lançado pelo Governo do Estado em 1972 e que visava facilitar o escoamento da safra gaúcha em expansão através do porto de Rio Grande.
   
       O primeiro quinquênio da década de 1970 era de prosperidade, principalmente no setor agrícola, e a expansão viária era essencial para promover o escoamento da produção. Grande parte das rodovias do Estado, no início daquele período, não possuía pavimentação, e isto era fator prejudicial ao desenvolvimento econômico. Para Passo Fundo, o melhoramento viário, além de promover o escoamento da produção local, facilitaria a sua ligação com as cidades vizinhas e o deslocamento das pessoas e das mercadorias entre estes municípios, propiciando o progresso de toda a região.
   
       Em setembro de 1973, O Nacional publicava informações do DAER que davam conta do precário estado de trafegabilidade das rodovias que ligavam Passo Fundo a Tapejara, Getúlio Vargas e Ronda Alta. Um ano depois a redação daquele jornal recebia carta de moradores de Tapejara reclamando das condições da RS-32 e pedindo providências. No mesmo mês o Prefeito de Tapejara, Aldino Lângaro, recebeu informação do DAER que a então renomeada para RS-423 (Getúlio Vargas – Charrua – Tapejara – Santa Cecília – BR-285) estava contemplada no Plano Estadual de Estradas de Rodagem para o período de 1975 a 1980. Na ocasião o prefeito solicitou ao órgão de infraestrutura o levantamento topográfico e de viabilidade para a construção de uma rodovia ligando Tapejara a Sertão, que reduziria a distância a Passo Fundo. Atualmente a RS-463, cuja construção data da década de 1990, faz a ligação asfáltica entre Tapejara e Passo Fundo, via cidade de Coxilha, em traçado diverso dos propostos na década de 1970.
   
       Enquanto as obras da RS-7 estavam sendo finalizadas e as da RS-32 incluídas no Plano Estadual, a rodovia RS-5 (ligando Passo Fundo a Ronda Alta, via Natalino) ficava fora orçamento plurianual do período de 1974 a 1976, contrariando as expectativas da região. Em outubro de 1974 o Vereador Eluyr Recke (ARENA) pediu providências à Secretaria de Transportes para que os trabalhos nesta rodovia fossem iniciados, tendo o asfaltamento do trecho Goio-En – Ronda Alta – Natalino – Passo Fundo sido prometido para o ano seguinte. Em fevereiro de 1975 era inaugurada a ponte sobre o Rio Uruguai na localidade de Goio-En, ligando Nonoai a Chapecó, obra do governo federal iniciada em 1966; no entanto, o asfaltamento da rodovia desta ponte até Passo Fundo só foi iniciada uma década depois.
   
       Em 1973, também era grande a expectativa dos municípios da região, pela construção da ferrovia L-35 (também chamada de Ferrovia do Trigo, entre Passo Fundo e Roca Sales, posteriormente renomeada EF-491), pois diminuiria a distância da viagem a Porto Alegre em aproximadamente 400 km, facilitando o escoamento de mercadorias. Concluída, porém, somente em 1978, a EF-491 é hoje administrada pela empresa privada América Latina Logística (ALL).
   
       O desenvolvimento viário observado em todo o país no início da década de 1970, proporcionado pelas políticas de expansão das infraestrutura do período conhecido como do Milagre Econômico Brasileiro, teve seus reflexos também nos municípios da região de Passo Fundo. Somando às já asfaltadas RS-45 (atual RS-324, entre Passo Fundo e Marau) e a RS-94 (atual RS-153, entre Passo Fundo e Tio Hugo, via Ernestina), a inauguração da BR-285 em 1974 e da RS-7 em 1975 agregaram desenvolvimento à região, facilitaram a ligação com a capital e o escoamento da produção agrícola ao recentemente inaugurado Superporto de Rio Grande. A fartura de recursos disponibilizados para estas obras viárias despertou expectativas na região para o asfaltamento das rodovias RS-5 e RS-32 e da ferrovia L-35; mas a subseqüente recessão enfrentada pelo país atrasou por anos suas implementações.



Ricardo Telló Dürks
Acadêmico do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR



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